sábado, 8 de agosto de 2009

A falácia do "design imperfeito"

Segundo o ex-monge dominicano e professor universitário, Francisco Ayala (autor de “Darwin's Gift to Science and Religion”), a evolução "é mais compatível com a crença em um Deus pessoal do que o Design Inteligente”. Segundo ele: “Se Deus projetou os organismos, ele teria muito por que responder". Ele cita, por exemplo, o fato de que pelo menos 20% das gestações acabam em abortos espontâneos. Sendo assim, diz, caso isso fosse resultado de uma anatomia concebida por inspiração divina, "então Deus é o maior dos aborcionistas". Ele também faz menção do "sadismo" dos parasitas que devoram vorazmente seus hospedeiros para sobreviver etc. Em relação aos mosquitos-pólvora, por exemplo, cujas fêmeas fertilizam seus ovos consumindo os genitais bem como todo o resto de seus parceiros, supondo Deus como o criador, afirma Ayala: "Ele (Deus) seria sádico, certamente faz coisas muito estranhas e é um engenheiro bastante incompetente".

A falácia do “design imperfeito” (ou "mau desenho") é, sem sombras de dúvidas, a crítica mais comum dos opositores do Design Inteligente. Ignorando questões vitais, como, por exemplo, a variedade, a exuberância imaginativa, a liberdade de criação, o gosto estético e tantas outras possibilidades, tais críticos permanecem amarrados à sua própria compreensão do mundo e da vida, restringindo a capacidade de um Designer à sua própria capacidade.

Se a vida fosse resultado de um Designer Inteligente, ponderam, o mundo deveria ser um maravilhoso paraíso tropical , ou seja, seria aquilo que eles fariam caso estivesse no lugar do Designer . Assim, tal premissa fundamenta-se "no como deveria" ser o mundo caso eles mesmos fossem um Designer, e não "no como o Designer imaginou" a vida, e como este poderia ter levado em conta possibilidades mil.

Trata-se obviamente de uma visão bastante restrita e limitada da vida, pois desprezam o ponto de vista do Artista. Em outras palavras, em vez de contemplarem o quadro completo, concentram seus olhares em minúcias quase sempre interpretadas subjetivamente, partindo do princípio de que, caso a vida fosse realmente fruto de um Designer, ela deveria necessariamente ser aquilo que eles imaginam como conseqüência de um “bom desenho” ou de um "desenho perfeito".

Mas, como sabiamente escreveu Behe, em “A Caixa Preta de Darwin”:

“O argumento baseado na imperfeição ignora a possibilidade de que o planejador possa ter numerosos motivos, e, muitas vezes, a excelência em engenharia ocupa um papel secundário. A maioria das pessoas ao longo da história tem pensado que a vida é planejada, a despeito de doença, morte e outras imperfeições óbvias” (p. 225).

É isso!

TDI - A ratoeira do Behe

Em seu livro “A Caixa Preta de Darwin" (Jorge Zahar Editor), o cientista Michael Behe, com o objetivo de ilustrar o funcionamento da complexidade irredutível, usa como exemplo uma simples ratoeira, que não funciona adequadamente sem uma de suas peças. Vejamos a belíssima explicação de Behe, bem como os respectivos exemplos dados por ele:

PRIMEIRO PASSO
O primeiro passo para determinar a complexidade irredutível consiste em especificar a função do sistema e todos os seus componentes. Um objeto irredutivelmente complexo será composto de várias partes, todas as quais contribuem para a função.

A fim de evitar os problemas encontrados em objetos extremamente complexos (tais como olhos, besouros, ou outros sistemas biológicos multicelulares) começarei com um exemplo mecânico simples: uma modesta ratoeira.

A função da ratoeira é imobilizar um rato, de modo que ele não possa realizar certos atos desagradáveis, tais como roer sacos de farinha de trigo ou fiação elétrica, ou deixar pequenos lembretes de sua presença em cantos pouco varridos.

As ratoeiras usadas por minha família consistem de certo número de partes:
1) uma tábua lisa de madeira que serve como base;
2) um martelo (precursor) de metal, que realiza o trabalho de esmagar o ratinho;
3) uma mola com extremidades alongadas que faz pressão contra a tábua e o martelo quando a ratoeira é armada;
4) uma trava sensível, que dispara quando nela é aplicada leve pressão;
5) uma barra de metal ligada à trava e que prende o martelo quando a ratoeira é armada. (Há também vários grampos para manter o sistema articulado).


SEGUNDO PASSO
O segundo passo para determinar se um sistema é irredutivelmente complexo consiste em perguntar se todos os componentes são necessários à função. Nesse exemplo, a resposta, claro, é sim.

Suponhamos que, enquanto está lendo durante a noite, você ouve o ruído de pequenas patas na copa, vai até uma gaveta e pega a ratoeira. Infelizmente, devido à fabricação defeituosa, falta uma das peças listadas acima. Que parte poderia estar faltando, mas que, ainda assim, nos permitiria pegar o rato?

Se não houvesse a base de madeira, tampouco haveria uma plataforma para nela prender os outros componentes. Se faltasse o martelo, o rato poderia dançar a noite inteira sobre a plataforma sem ficar preso à base de madeira. Se não houvesse mola, o martelo c a plataforma estariam frouxamente ligados e o roedor continuaria feliz da vida. Se não houvesse trava ou barra de metal, então a mola dispararia o martelo logo que a soltássemos e, para pegar o rato, teríamos que correr atrás dele, com a ratoeira aberta na mão.

A fim de compreender bem a conclusão de que um sistema é irredutivelmente complexo e, por conseguinte, não tem precursores funcionais, precisamos fazer uma distinção entre precursor físico e precursor conceitual. A ratoeira descrita acima não é o único sistema que pode imobilizar um rato. Em outras ocasiões, minha família usou uma ratoeira de cola.

Em teoria, pelo menos, podemos usar uma caixa inclinada, apoiada em uma vareta que pode ser derrubada. Ou podemos simplesmente atirar no rato com uma espingarda de chumbinho. Esses casos, porém, não são precursores físicos da ratoeira comum, uma vez que não podem ser transformados — um passo darwiniano após outro — em uma ratoeira com base, martelo, mola, trava e barra de retenção.

[...]

Até agora, analisamos a questão da complexidade irredutível como um desafio à evolução gradual. Darwin, porém, enfrenta outra dificuldade. Minha lista anterior de fatores que tornam a ratoeira irredutivelmente complexa foi, na verdade, generosa demais, porque quase qualquer dispositivo que tivesse os cinco componentes de uma ratoeira padrão, ainda assim, poderia deixar de funcionar.

Se a base fosse feita de papel, por exemplo, a ratoeira se desmancharia. Se o martelo fosse pesado demais, quebraria a mola. Se a mola fosse frouxa demais, não acionaria o martelo. Se a barra de retenção fosse muito curta, não alcançaria a trava. Se a trava fosse grande demais, não dispararia na ocasião apropriada. Uma lista simples dos componentes da ratoeira é necessária, mas não suficiente para produzir um dispositivo que funcione.

Para ser candidato à evolução natural um sistema precisa ter uma função mínima: a capacidade de realizar um dado trabalho em circunstâncias fisicamente realistas. A ratoeira feita de materiais impróprios não atenderia ao critério de função mínima, mas até máquinas complexas que fazem o que se espera que façam talvez não sejam muito úteis.

[...]

Uma simples lista de peças mostra o mínimo absoluto de requisitos. No capítulo anterior, explicamos que uma ratoeira, mesmo contendo todas as peças necessárias — o martelo, a base, a mola, a trava e a barra de retenção — poderia não funcionar. Se a barra fosse muito curta, ou a mola leve demais, por exemplo, a ratoeira seria um fracasso.

[...]

Suponhamos, por exemplo, que queremos fabricar uma ratoeira. Na garagem, podemos ter uma tábua de madeira velha (para a plataforma, ou base), a mola de um velho relógio de corda, uma peça de metal (para servir como martelo) na forma de uma alavanca, uma agulha de cerzir para segurar a barra, e uma tampinha metálica de garrafa, que julgamos poder usar como trava. Essas peças, no entanto, não poderiam formar uma ratoeira funcional sem modificações excessivas e, enquanto elas estivessem sendo feitas, as partes não poderiam funcionar como ratoeira. Suas funções anteriores as teriam tornado impróprias para quase qualquer novo papel como parte de um sistema complexo.

[...]

Lembre-se, uma mola de ratoeira pode, de certa forma, parecer-se com uma mola de relógio, e uma alavanca pode lembrar um martelo de ratoeira, mas as semelhanças nada dizem sobre como a ratoeira é produzida. Para sustentar que um sistema se desenvolveu gradualmente através de um mecanismo darwiniano, temos de demonstrar que a função do sistema poderia "ter sido formada por numerosas, sucessivas e ligeiras modificações".

[...]

Sistemas irredutivelmente complexos como ratoeiras, máquinas Rube Goldberg e transporte intracelular não podem evoluir à moda darwiniana. Não podemos começar com uma base, pegar alguns ratos, acrescentar uma mola, pegar mais ratos, acrescentar um martelo, pegar mais ratos, e assim por diante. Todo o sistema tem de ser montado na mesma ocasião, ou os ratos fugirão. De modo análogo, não podemos começar com uma sequência de sinais e fazer com que uma proteína siga até certo ponto na direção do lisossomo, adicionar uma proteína receptora de sinais, ir um pouco mais adiante etc. É tudo ou nada.

EXEMPLOS:

O FLAGELO
O flagelo bacteriano usa um mecanismo de remo. Por isso mesmo, deve satisfazer as mesmas condições que outros sistemas de natação. Uma vez que o flagelo bacteriano é necessariamente composto de pelo menos três partes — um remo, um rotor, e um motor — ele é de complexidade irredutível. A evolução gradual do flagelo, assim como a do cílio, encontra obstáculos enormes.

O CÍLIO
Que componentes são necessários para que um cílio funcione? O movimento dele certamente exige microtúbulos. De outra maneira, não haveria filamentos para deslizar. Além disso, ele precisa de um motor, ou os microtúbulos do cílio permaneceriam duros e imóveis. Ele também precisa de conectores para empurrar os filamentos vizinhos, convertendo o movimento de deslizamento em movimento de curvatura e impedindo que a estrutura desmorone. Todas essas peças são necessárias para realizar uma única função: o movimento ciliar. Do mesmo modo que uma ratoeira não funciona a menos que todas as suas partes constituintes estejam presentes, o movimento ciliar simplesmente não existe na ausência de microtúbulos, conectores e motores. Podemos, por conseguinte, concluir que o cílio é de complexidade irredutível — uma enorme chave-inglesa jogada em sua presumida evolução gradual darwiniana.

A COAGULAÇÃO DO SANGUE
Em contraste, quando uma pessoa sofre um corte, o sangramento continua apenas por um curto espaço de tempo, até que se forme um coágulo para interromper o fluxo. O coágulo endurece e o corte sara. Aformação de coágulo do sangue parece algo tão banal que a maioria das pessoas quase nem pensa nisso. Ainvestigação bioquímica, no entanto, demonstrou que a coagulação do sangue é muito complexa; é um sistema de entrelaçamento intricado, constituído de dezenas de partes interdependentes de proteínas. Se apenas um entre a grande quantidade desses componentes estiver ausente ou apresentar defeitos importantes, o sistema pára de funcionar: o sangue não coagula no momento ou no lugar adequados.

O SISTEMA IMUNOLÓGICO
Esse sistema poderia ter evoluído passo a passo? Pense por um momento no imenso reservatório de bilhões a trilhões de células B. O processo de escolher a célula certa, em uma mistura de células que produzem anticorpos, é denominado de seleção clonal. Esta é uma maneira elegante de elaborar uma resposta específica, em grandes quantidades, a uma imensa variedade de possíveis invasores. O processo depende de várias etapas, algumas das quais não discutimos ainda. Deixando-as de lado por ora, vejamos quais são os requisitos mínimos para um sistema de seleção clonal e se eles poderiam ser produzidos gradualmente.

Fonte:
Michael Behe. “A Caixa Preta de Darwin”. Tradução: Ruy Jungmann. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 1996.

É isso!

Complexidade Irredutível: Behe explica!

Uma síntese dos mecanismos irredutivelmente complexos, segundo Michael Behe.

“Se pudesse ser demonstrada a exislência de qualquer órgão complexo que não poderia ler sido formado por numerosas, sucessivas e ligeiras modificações, minha teoria desmoronaria por completo.” – Charles Darwin

Observação:
Todas as citações e ilustrações inclusas neste artigo foram extraídas do livro “A Caixa Preta de Darwin: o desafio da bioquímica à Teoria da Evolução”, do cientista Michael J. Behe, publicado pela Jorge Zahar Editor. Tradução: Ryu Jungmann. Rio de Janeiro, 1997.

1 - DEFINIÇÃO
a) Com irredutivelmente complexo quero dizer um sistema único composto de várias partes compatíveis, que interagem entre si e que contribuem para sua função básica, caso em que a remoção de uma das partes faria com que o sistema deixasse de funcionar de forma eficiente.

b) Um sistema irredutivelmente complexo não pode ser produzido diretamente (isto é, pelo melhoramento contínuo da função inicial, que continua a atuar através do mesmo mecanismo) mediante modificações leves, sucessivas, de um sistema precursor, porque qualquer precursor de um sistema irredutivelmente complexo ao qual falte uma parte é, por definição, não-funcional.

c) Um sistema biológico irredutivelmente complexo, se por acaso existir tal coisa, seria um fortíssimo desafio à evolução darwiniana. Uma vez que a seleção natural só pode escolher sistemas que já funcionam, então, se um sistema biológico não pudesse ser produzido de forma gradual, ele teria que surgir como uma unidade integrada, de uma única vez, para que a seleção natural tivesse algo com que trabalhar.

d) Mesmo que um sistema seja irredutivelmente complexo (e, portanto, não possa ter sido produzido diretamente), não podemos excluir por completo a possibilidade de uma rota indireta, tortuosa. Aumentando-se a complexidade de um sistema interatuante, porém, cai bruscamente a possibilidade dessa rota indireta.

e) - E, à medida em que aumenta o número de sistemas biológicos irredutivelmente complexos, inexplicados, nossa confiança em que o critério de fracasso de Darwin tenha sido atingido sobe vertiginosa¬mente para o máximo que a ciência permite.

2 – EXEMPLO PRÁTICO: A RETOEIRA
a) O primeiro passo para determinar a complexidade irredutível consiste em especificar a função do sistema e todos os seus componentes. Um objeto irredutivelmente complexo será composto de várias partes, todas as quais contribuem para a função. A fim de evitar os problemas encontrados em objetos extremamente complexos (tais como olhos, besouros, ou outros sistemas biológicos multicelulares) começarei com um exemplo mecânico simples: uma modesta ratoeira.

A função da ratoeira é imobilizar um rato, de modo que ele não possa realizar certos atos desagradáveis, tais como roer sacos de farinha de trigo ou fiação elétrica, ou deixar pequenos lembretes de sua presença em cantos pouco varridos.

b) O segundo passo para determinar se um sistema é irredutivelmente complexo consiste em perguntar se todos os componentes são necessários à função. Nesse exemplo, a resposta, claro, é sim. Suponhamos que, enquanto está lendo durante a noite, você ouve o ruído de pequenas patas na copa, vai até uma gaveta e pega a ratoeira. Infelizmente, devido à fabricação defeituosa, falta uma das peças listadas acima. Que parte poderia estar faltando, mas que, ainda assim, nos permitiria pegar o rato? Se não houvesse a base de madeira, tampouco haveria uma plataforma para nela prender os outros componentes.

Se faltasse o martelo, o rato poderia dançar a noite inteira sobre a plataforma sem ficar preso à base de madeira. Se não houvesse mola, o martelo c a plataforma estariam frouxamente ligados e o roedor continuaria feliz da vida. Se não houvesse trava ou barra de metal, então a mola dispararia o martelo logo que a soltássemos e, para pegar o rato, teríamos que correr atrás dele, com a ratoeira aberta na mão.

3 – SISTEMAS IRREDUTIVELMENTE COMPLEXOS

a) O OLHO
Alguns animais modernos têm olhos dotados dessas lentes grosseiras. Melhoramentos graduais nas lentes poderiam criar imagens cada vez mais nítidas para atender aos requisitos do ambiente em que o animal vive.

Utilizando um raciocínio desse tipo, Darwin convenceu muitos de seus leitores de que um caminho evolutivo vai do mais simples ponto sensível à luz ao sofisticado olho-câmera do homem. A questão de como a visão começou, no entanto, continuou sem resposta. Darwin persuadiu grande parte do mundo de que o olho moderno evoluiu aos poucos, a partir de uma estrutura mais simples, mas sequer tentou explicar de onde veio esse ponto de partida — o ponto relativamente simples sensível à luz.

A bioquímica, portanto, lança um desafio liliputiano a Darwin. A anatomia, nos termos mais simples, é irrelevante para se descobrir se a evolução poderia ou não ocorrer no nível molecular. O mesmo acontece com o registro fóssil. Já não importa se há imensos vazios no registro fóssil ou se ele é tão contínuo como a lista dos presidentes norte-americanos. E se há buracos, não importa se podem ser explicados plausivelmente.

O registro fóssil nada tem a nos dizer sobre se as interações da 11-cis-retinal com a rodopsina, a transducina ou a fosfodiesterase, poderiam ou não ter se desenvolvido passo a passo. Também não importam os padrões da biogeo-grafia, nem os da biologia das populações; tampouco as explicações tradicionais da teoria evolutiva sobre órgãos rudimentares ou abundância de espécies. Isso não quer dizer que a mutação aleatória seja um mito, ou que o darwinismo nada explique (explica muito bem a microevolução), ou que fenómenos em grande escala, como a genética das populações, não têm importância. Têm, sim. Até recentemente, porém, os biólogos evolucionis-tas podiam ignorar os detalhes moleculares da vida porque muito pouco se conhecia sobre eles. Agora, a caixa preta da célula foi aberta e o mundo infinitesimal que veio à tona precisa ser explicado.

b) OS CÍLIOS
Que componentes são necessários para que um cílio funcione?

1- O movimento do dele certamente exige microtúbulos. De outra maneira, não haveria filamentos para deslizar.

2 - Além disso, ele precisa de um motor, ou os microtúbulos do cílio permaneceriam duros e imóveis.

3 - Ele também precisa de conectores para empurrar os filamentos vizinhos, convertendo o movimento de deslizamento em movimento de curvatura e impedindo que a estrutura desmorone.

Todas essas peças são necessárias para realizar uma única função: o movimento ciliar. Do mesmo modo que uma ratoeira não funciona a menos que todas as suas partes constituintes estejam presentes, o movimento ciliar simplesmente não existe na ausência de microtúbulos, conectores e motores. Podemos, por conseguinte, concluir que o cílio é de complexidade irredutível — uma enorme chave-inglesa jogada em sua presumida evolução gradual darwiniana.

Alguns biólogos evolucionistas — como Richard Dawkins — têm uma Imaginação fértil. Dado um ponto de partida, eles quase sempre podem tecer uma história para obter qualquer estrutura biológica que se possa desejar. Esse talento pode ser valioso, mas é uma faca de dois gumes. Embora possam pensar em outras possíveis rotas evolutivas que passariam despercebidas a outras pessoas, eles tendem também a ignorar detalhes e obstáculos que poriam por terra seus cenários.

A ciência, contudo, não pode, em última análise, ignorar detalhes relevantes e, no nível molecular, todos os "detalhes" assumem importância crítica. Se falta um parafuso ou porca molecular, todo o sistema pode ruir. Sendo o cílio irredutivelmente complexo, nenhuma rota direta, gradual, leva à sua criação. Dessa maneira, uma história evolutiva do cílio tem de imaginar uma rota tortuosa, talvez adaptando partes que foram usadas primeiro para outras finalidades. Ten-temos, portanto, imaginar uma rota indireta plausível para o cílio, usando partes preexistentes da célula.

c) O FLAGELO BACTERIANO
Algumas bactérias ostentam um maravilhoso dispositivo de natação, o flagelo, que não tem equivalente em células mais complexas. Em 1973, descobriu-se que algumas bactérias nadam girando os flagelos. O flagelo, portanto, atua como se fosse uma hélice rotativa — em contraste com o cílio, que age mais como um remo.

A literatura profissional geral sobre o flagelo bacteriano é quase tão rica quanto a existente sobre o cílio, com milhares de trabalhos sobre o assunto publicados nos últimos anos. Esse fato não é surpreendente: o flagelo é um sistema biofísico fascinante e as bactérias flageladas têm importância médica. Ainda assim, mais uma vez, a literatura evolucionista brilha pela ausência. Embora nos digam que toda a biologia deve ser vista através das lentes da evolução, nenhum cientista jamais publicou um modelo que explicasse a evolução gradual dessa extraordinária máquina molecular.

O flagelo bacteriano, além das proteínas já discutidas, requer cerca de quarenta outras proteínas para funcionar. Mais uma vez, permanecem desconhecidos os papéis exatos da maioria das proteínas, embora se saiba que incluem sinais para ligar e desligar o motor; proteínas que servem como "buchas" para permitir que o flagelo atravesse a membrana e a parede da célula; proteínas para ajudar na montagem da estrutura e proteínas para regular a produção de outras que fazem parte do flagelo.

Em resumo, à medida que começaram a examinar estruturas aparentemente simples, como cílios e flagelos, os bioquímicos descobriram espantosa complexidade, com dezenas ou mesmo centenas de partes fabricadas com precisão. É muito provável que muitas das partes não estudadas aqui sejam necessárias para que qualquer cílio funcione na célula. Aumentando-se o número de partes necessárias, a dificuldade de montar o sistema de forma gradual sobe para as alturas, e cai vertiginosamente a probabilidade de cenários indiretos.

Darwin parece cada vez mais abandonado. Novas pesquisas sobre os papéis de proteínas auxiliares tampouco conseguem simplificar o sistema de complexidade irredutível. As dificuldades do problema não podem ser aliviadas, e, na verdade, elas se tornam cada vez piores. A teoria darwiniana não forneceu uma explicação para o cílio ou para o flagelo; a imensa complexidade dos sistemas natatórios obriga-nos a pensar que ela talvez nunca consiga fazer isso.

d) COAGULAÇÃO DO SANGUE
O sangue se comporta de maneira peculiar. Quando o recipiente de um líquido — como uma caixa de papelão de leite ou um tanque cheio de gasolina — começa a vazar, o fluido escorre até acabar. A taxa de saída depende da densidade do líquido (melado por exemplo, escorrerá mais lentamente que álcool), mas, no fim, todo líquido escoa.

Nenhum processo ativo resiste a esse fato. Em contraste, quando uma pessoa sofre um corte, o sangramento continua apenas por um curto espaço de tempo, até que se forme um coágulo para interromper o fluxo. O coágulo endurece e o corte sara. Aformação de coágulo do sangue parece algo tão banal que a maioria das pessoas quase nem pensa nisso.

Ainvestigação bioquímica, no entanto, demonstrou que a coagulação do sangue é muito complexa; é um sistema de entrelaçamento intricado, constituído de dezenas de partes interdependentes de proteínas. Se apenas um entre a grande quantidade desses componentes estiver ausente ou apresentar defeitos importantes, o sistema pára de funcionar: o sangue não coagula no momento ou no lugar adequados.

Será possível que esse sistema ultracomplexo tenha evoluído de acordo com a teoria darwiniana? Vários cientistas dedicaram-se com afinco a especular sobre como a coagulação do sangue deve ter evoluído. Na seção seguinte, o leitor verá qual é a explicação fornecida pêlos mais recentes estudos sobre a coagulação na literatura científica. Antes, porém, temos de esmiuçar alguns detalhes.

Agora estamos prontos para seguir em frente. Nesta seção, vamos reproduzir uma tentativa de explicação evolucionista da coagulação oferecida por Russell Doolittle. Sua hipótese consiste de uma série de etapas nas quais as proteínas da coagulação surgem uma após a outra. Mas, como demonstraremos na seção seguinte, a explicação é completamente inadequada porque não dá razões para o aparecimento das proteínas, não tenta calcular a probabilidade do aparecimento delas, tampouco procura estimar as propriedades das novas proteínas.

1 - O primeiro aspecto a notar é que não são citados fatores causativos. O fator de tecido, por exemplo, "aparece", o fibrinogênio "nasce", a antiplasmina "surge", e assim por diante. O que, exatamente, poderíamos perguntar, causa todas essas inovações e liberações? Ao que parece, Doolittle tem em mente um cenário darwiniano gradual, envolvendo duplicação e recombinação não dirigidas, aleatórias, de fragmentos de genes.

Mas imagine quanta sorte seria necessária para conseguir os fragmentos certos de genes nos lugares certos. Os organismos eucarióticos têm muitas peças de genes e, aparentemente, o processo que os troca é aleatório. Dessa maneira, criar uma nova proteína de coagulação mediante embaraIhamento é como pegar ao acaso uma dezena de frases em uma enciclopédia na esperança de escrever um parágrafo coerente.

2 - A segunda questão a considerar é a suposição implícita de que uma proteína feita de um gene duplicado teria imediatamente as novas e neces-sárias propriedades. Ele diz que "o fator de tecido aparece como resultado da duplicação de um gene para [outra proteína]". Ora, o fator de tecido com certeza não apareceria como resultado da duplicação—mas outra proteína, sim. Se uma fábrica de bicicletas fosse duplicada, ela fabricaria bicicletas, e não motocicletas.

É isso o que significa a palavra duplicação. Um gene para uma proteína talvez fosse duplicado por uma mutação aleatória, mas não "acontece", simplesmente, que tenha também novas e sofisticadas propriedades. Uma vez que um gene duplicado é somente uma cópia do velho gene, uma explicação do aparecimento do fator de tecido deve incluir a suposta rota que ele tomou para adquirir a nova função.

3 - O terceiro problema nessa descrição da coagulação sanguínea é que ela evita as questões cruciais: quanto, com que rapidez, quando e onde. Nada é dito sobre o volume de material de coagulação inicialmente disponível, a resistência do coágulo que seria formado por um sistema primitivo, o tempo de que o coágulo precisaria para se formar logo que ocorresse um corte, a que pressão fluida ele resistiria, até que ponto a formação de coágulos impróprios seria prejudicial, ou uma centena de outras questões semelhantes.

Os valores absolutos e relativos desses e de demais fatores poderiam tornar qualquer dado sistema hipotético tanto possível quanto (o que seria muito mais provável) inteiramente errado. Se, por exemplo, houvesse apenas um pequeno volume de fibrinogênio, ele não cobriria o ferimento; se uma fibrina primitiva formasse uma bolha aleatória, em vez de uma malha, seria improvável que estancasse o sangramento.

O cenário de Doolittle reconhece de forma implícita que a cascata da coagulação é irredutivelmente complexa, mas ele tenta disfarçar o dilema com referências metafóricas a yin e yang. O fundamental é que os conglomerados de proteínas têm de ser inseridos todos ao mesmo tempo na cascata. Isso só pode ser feito postulando-se um "monstro esperançoso" que obtém, simultaneamente, todas as proteínas por sua sorte, ou pela orientação de um agente inteligente.

Seguindo o exemplo de Doolittle, poderíamos propor uma rota pela qual a primeira ratoeira teria sido produzida: o martelo aparece como resultado da duplicação de uma alavanca em nossa garagem. O martelo entra em contato com a plataforma, resultado este do embaralhamento de vários palitos de picolé.

A mola nasce de um relógio de pêndulo. A barra de contenção é fabricada com o canudinho que se projeta de uma latinha abandonada de Coca-Cola, e a trava tem origem na tampinha de uma garrafa de cerveja. As coisas, porém, não acontecem dessa maneira, a menos que alguém ou alguma coisa oriente o processo.

Lembre-se que o público leitor do artigo de Doolittle publicado na Thrombosis and Haemostasis é formado por líderes da pesquisa sobre coagulação — indivíduos que conhecem a última palavra sobre o assunto. Ainda assim, o artigo não lhes explica como a coagulação poderia ter surgido e, subsequentemente, evoluído; ele tão-somente conta uma história. O fato é que ninguém na Terra tem a mais vaga ideia de como a cascata da coagulação surgiu.

e) SISTEMA IMONOLÓGICO
O sistema de defesa interna dos vertebrados é de uma complicação atordoante. Assim como o moderno exército americano dispõe de grande variedade de armas que podem coincidir em seu uso. Mas, tal como no caso das armas que discutimos acima, não devemos supor automaticamente que as diferentes partes do sistema imunológico são precursores físicos recíprocos.

A célula que tivesse a esperança de criar tal sistema em passos darwi-nianos graduais ficaria em situação muito difícil: o que deveria fazer em primeiro lugar? Secretar um pouco de anticorpo no grande mundo externo seria um desperdício de recursos, se não houvesse maneira de saber se ele está conseguindo fazer alguma coisa. O mesmo se aplica à fabricação de um anticorpo ligado à membrana. E, para começar, por que fabricar uma proteína mensageira, se não houver ninguém a quem transmitir a mensagem e ninguém para recebê-la, se ela lhe fosse passada? Somos levados inexoravelmente à conclusão de que nem mesmo essa seleção clonal bastante simplificada poderia ter surgido por passos graduais.

Mesmo nesse nível simplificado, todos os três ingredientes teriam que evoluir simultaneamente. Todos os três itens — o anticorpo fixo, a proteína mensageira e os anticorpos soltos — teriam de ser produzidos por um evento histórico separado, talvez por uma série coordenada de mutações que alterassem proteínas preexistentes, que estivessem cumprindo outras tarefas nos componentes do sistema de anticorpos. Os pequenos passos de Darwin transformaram-se numa série de saltos muito improváveis. Ainda assim, nossa análise ignorou muitas complexidades: De que modo a célula muda, se uma peça oleosa extra for colocada ou não sobre a membrana? O sistema de mensagem é fantasticamente mais complicado que nossa versão simplificada.

Resumo da obra:
As máquinas biológicas têm que ter sido planejadas – seja por Deus seja por alguma outra inteligência superior.

É isso!

DCL - Descendência Comum Limitada

A Descendência Comum Limitada, ao contrário da Descendência Comum Universal, é um fenômeno cientificamente comprovado, sendo também um fato consumado. A DCL designa o conceito de que muitas variedades distintas de organismos similares dentro das diferentes espécies estão relacionadas por ascendência comum.

Um exemplo clássico de DCL diz respeito aos famosos tentilhões das Ilhas Galápagos, em que o padrão de distribuição biogeográfico de tais aves sugere fortemente que todas elas comportam um ancestral comum. Outro exemplo refere-se às muitas variedades de moscas de frutas do Hawai.

Ressalvando que isto não implica na aceitação da Descendência Comum Universal, ou seja, a idéia de que todos os organismos estão relacionados por ascendência comum.

Na DCL (Descendência Comum Limitada), portanto, o conjunto de mudanças morfológicas dá-se no interior de um grupo de seres vivos da mesma espécie ao longo do tempo, ou seja, ocorre intra-espécies.

Na DCL as adaptações têm que ver, usando a própria linguagem darwinista, apenas com a sobrevivência do mais apto, e não que o aparecimento do mais apto.

É notório que até o momento, as mudanças biológicas observadas favovorcem uma visão polifilética da história da vida, na qual muitas linhagens de animais ou plantas se desenvolveram separadamente (sem conexões genealógicas) durante a mesma história da vida.

Lembrando que mudanças microevolutivas na freqüência dos genes não foram vistas como capazes de converter, por exemplo, um réptil em um mamífero ou converter um peixe num anfíbio. Não foram observados mudanças suficientes para sustentar que TODOS os organismos estão relacionados por uma ascendência comum universal. A aceitação desta tese é essencialmente uma opção fundamentada não em dados empíricos, mas no profundo anseio de se afirmar o materialismo filosófico como a única e melhor explicação para a história da vida.

É isso!